terça-feira, 30 de junho de 2015

Viciado em cheiro de livro








O que é que tens de tão especial?
Se és velho eu te cheiro,
Se és novo também, 
até demais.

O que é que tens de tão anormal?
Te cheiro o tempo inteiro,
Letra, palavra, ponto,
o teu cheiro.

Se cheirar livros não fosse vício
Eu não me pegava fungando-os

Se não entendes meu vício, explico-te:
Cheirar livro é um complemento
um adendo, um bônus
de quem ama ler!




Sobre o nada!








Passeando pelos meus escritos eis que eu encontro esse. Uma boa divagada sobre o ser e o não ser. Psicodelia a parte, este texto tem uma grande e constante reflexão. Se não gosta de refletir ou mesmo pensar, é melhor voltar para seu local de origem, o nada. Mas se ainda tem saco para ler algo que eu escrevo, sejam bem vindos ao: nada!




Sobre o nada! 

 

Pensei muito sobre o que escrever hoje. Meu intento é começar este mês arrasando em número de postagens. Pretendo postar, almejo, ao menos um texto por dia. Um total de trinta neste mês. (Eu e minhas metas!) Bem da verdade, eu escrevo todo dia, mas não são todos os dias que eu completo algo útil. E foi assim que eu comecei o meu texto de hoje: divagando. Pensei em escrever algo que me aliviasse do estresse, coisas que eu odeio por exemplo... mas não quero voltar à velha lista (tem muita coisa nessa). Coisas ruins? Nããão! Sabem que eu não gosto de coisas ruins. Deixa eu ver... hum... já que não quero falar de coisas ruins, que tal coisas boas? Hum... também não, não estou inspirado. Nem tão pouco as coisas que amo. Seria um discurso longo e eu estou devendo um texto sobre o amor.

Bom, foi pensando nestes assuntos que eu descobri sobre o que irei falar hoje, e o assunto escolhido foi: nada! Isso mesmo. O nada é algo que devemos dar mais atenção. Quantas e quantas pessoas, que eu conheço, que estão repletas de nada!? É quase que uma epidemia. Mas não culpemos os seres deste mundo (nem de outros), a culpa não é de ninguém senão de nada, nem coisa nenhuma! Assim como nossos pecados, o nada é amplo, complexo e nunca quer deixar de existir. Sendo desta forma, e de outra não podendo ser, ele está entre nós, e por que não dizer: em nós!

Olho a minha volta e, por mais que eu veja algo, sempre hei de ver o nada. Como posso deixá-lo passar despercebidamente, se, não restando mais dúvidas, ele está ali? Analisemos então o nada. O que ele é? Começaria dizendo: coisa nenhuma. Seria redundante de minha parte. Então pensei em uma outra concepção: o nada é tudo aquilo que não se pode ver. Mas mesmo assim há um problema; embora não se possa vê-lo, sabe-se de sua presença. As coisas vão se intensificando e o que penso agora é: o nada, embora invisível, é tudo aquilo que não deixa dúvidas de que, ali, onde não existe coisa alguma, há o total de sua magnificência. Mesmo onde existam todas as coisas, ele está ali.

Convenhamos: refletir sobre o nada te leva a lugar algum. Acontece que, viver sem pensar no nada é como negar a existência de tudo aquilo que nunca existiu. Você vê, fala, ouve, sente, embora tudo isso, não passe de coisa alguma. Volto à velha frase: o que vivemos existe? Se não existe, ou mesmo se realmente existe, o mais importante é que, o nada, está lá. É descabido falar de nada quando, uma vez que pareça não ser nada, na verdade ele é quase que tudo. E nisso eu digo: tudo engloba o nada; e o nada é tudo. Ou seja, quando alguém diz: “eu tenho tudo”; na verdade o que está querendo dizer é: “não tenho nada nem coisa nenhuma”.

Tenho muita coisa a pensar e refletir sobre o nada, mas mesmo assim, não quero escrever mais nada. O assunto é extenso como a vastidão do infinito e, isso me fez lembrar que, o que é o infinito senão absolutamente nada?! Vagueio entre as palavras para descrever a forma do que nunca vi e sempre soube que estava ali. Perda de tempo? Loucura? Eu diria: nada disso! 



Publicado originalmente no dia 2 de setembro de 2010, quinta-feira.



 

O amor é um cão dos diabos - Charles Bukowski - Editora LP&M Pocket




Cara, que foto linda!


O Mito:



Meu exemplar estropiado!
Como não falar bem de um livro que eu li, reli e lerei novamente daqui há três anos?! Pois é, Bukowski é foda (elogiando no linguajar padrão do próprio autor)! Quem não sabe disso? (por favor, não diga: "eu!")

Mas vamos lá. Falar de Bukowski é falar de coisa boa no pior sentido da palavra! Calma, eu explico. O velho Buk é considerado o último dos escritores "malditos" entre os norte-americanos (embora ele tenha nascido na Alemanha, viveu a vida toda lá nos EUA).

Eu preciso contextualizá-los primeiro. Charles é um cara foda e único. Seu estilo é muito diferente de qualquer coisa que eu já tenha lido. Se você nunca leu poesia, vai achar o estilo desse autor estranho, mas acredito que se sentirá mais confortável do que quem é acostumado com versos. Por outro lado, se você já é acostumado com poesia, perceberá nuances ocultas entre seus escritos que olhos destreinados não perceberão.

Vale citar que o autor escreveu mais poesias do que qualquer outra coisa, mas que também publicou contos e alguns romances. Precisamos também levar em conta que a grande maioria de seus escritos são autobiográficos. E a última ressalva é que seus versos são basicamente em prosa, sim, são como relatos versificados!

O quê é que vou encontrar aqui?:

 
Minha pequena coleção do Buk!
Mas vamos deixar para falar do mestre no final da resenha, pois o mais importante é a sua obra. Nesse livro está uma coletânea de seus poemas, entre 1974 e 1977. Temos algumas fases distintas entre esses poemas e eles estão divididos dessa forma: "mais uma criatura atordoada pelo amor", "eu, e aquela velha: aflição", "Scarlet" e "melodias populares no que restou de sua mente".

Vou resumir exatamente o que você vai encontrar aqui nesse livro: sexo, álcool, jogatina, escatologia, palavrões, muita putaria, mais putaria, mais palavrões, risadas, muitas gargalhadas, muito sentimento e também muita dor. Basicamente é isso, mas é muito mais do que tudo isso.

Bukowski, acima de escritor é também uma pessoa, alguém que comete milhares de erros, que sofre por amor, que sofre pela idade, pelos vícios, pela solidão. Ele era um homem sozinho e bastante amargurado, mas que tratou de sua dor escrevendo e vivendo da melhor forma que conseguiu.

E se você não se sensibilizou com esse dedinho que eu contei de sua história vai entender o que eu estou dizendo lendo esse livro que, para mim, merece muito mais do que cinco estrelas. Sim, se eu fosse recomendar um livro, um único livro para ser lido diversas e diversas vezes, esse seria o volume indicado. Mas atenção, somente para adultos.

Sei que tem muito jovem que lê Bukowski, acho até legal que o leiam, mas se não aguentarem a maturidade chegar, façam um favor a vocês mesmos, leiam novamente quando forem adultos e repitam esse processo por anos e anos afio!

As poesias nesse livro são todas nas temáticas descritas acima, mas destaco algumas que muito gostei: a aranha (que é uma ironia escatológica, acredito que foi o primeiro poema que eu li dele fuçando num livro, maravilhoso!), Chopin Bukowski (uma alegoria sobre seu trabalho), uma aposta perdida (cara, muito engraçado!), como ser um grande escritor (que ele fala sobre a profissão de um jeito muito enfático, muito bom), entre tantos outros poemas divinos.

Eu gosto tanto desse livro que eu podia falar sobre cada um dos poemas contidos nele. Teria assunto para o resto da vida. Vale lembrar que os poemas do autor são curtos, os mais longos têm umas três páginas, mas a grande maioria cabe numa página só, ou mesmo meia. Um livro feito para preguiçosos literários apaixonados (inventei um termo!).

O quê o livro tem de ruim:


Posso passar horas lendo O Mestre!
É óbvio que eu não tenho nada de ruim para falar desse livro. Só ressalto que muitas vezes eu cheguei a sentir uma agonia profunda e até mesmo dó do autor, mas nada que me fizesse deixar de lê-lo com extrema vontade. Faça o seguinte, vá comprar o seu agora mesmo, eu até emprestaria o meu pra você, mas ele está lotado de anotações minhas, o que dificultaria bastante a sua leitura.

Repito, não pense de novo, leia!







Sobre o mestre:


Henry Charles Bukowski Jr. nasceu no dia 16 de agosto de 1920, na Alemanha. Aos três anos já estava morando nos EUA e lá cresceu e morreu, reconhecido como cidadão norte-americano. Escreveu e publicou dezenas de livros, muitos ainda nem foram traduzidos para o português (do Brasil, é claro). Entre suas abras estão contos, poesias, não-ficção e somente seis romances (o que já é muito para alguém que publicou mais de 45 livros).

Ele se casou, teve uma filha, separou e teve também muitos outros amores. Sofreu com o alcoolismo a vida inteira e faleceu aos 73 anos, vítima de pneumonia durante um tratamento de leucemia. Foi influenciado por escritores como John Fante, Ernest Hemingway, Henry Miller entre outros. E, claro, influenciou muita gente, a ponto de ser considerado por Sartre como "O melhor poeta da América." (também odeio quando eles acham que são os únicos da "América").

Eu li uma biografia do velho Buk (há bastante tempo) que me fez refletir muito sobre a vida desse homem. E, confesso, depois que eu li essa biografia minha maneira divertida de pensar sobre ele mudou para uma admiração e respeito profundo. Não conheço alguém que não tenha gostado dele, espero que não exista alguém assim e, se existir, espero que não seja você!




O autor: Charles Bukowski, O Mito!



O fazedor de velhos - Rodrigo Lacerda - Editora Cosac Naify




Esse exemplar eu peguei emprestado da Biblioteca Municipal. Sorte a minha, leiam o porquê!



Essa resenha eu começarei pelo enredo só porque eu estou afim:


Enredo:



Pedro narra a sua vida literária desde a infância, quando era obrigado a ouvir sua mãe recitar versos e seu pai contar-lhe histórias de Shakespeare. Ao longo dessa sua formação ele vai descobrindo um gosto por livros e autores que não conhecia. Acaba por se tornar um jovem estudante de história, mas se vê em conflito com sua escolha.

Meu xará conhece então um velho professor, Nabuco, um homem firme de opinião formada que lhe apresenta algumas tarefas para que ele possa descobrir-se e entender melhor o quê deveria fazer de sua vida. Um típico impasse existencial. Pedro resolve ser guiado pelo professor e acaba afeiçoando-se ao velho.

Mayumi é uma jovem oriental, afilhada do Nabuco, por quem Pedro se apaixona. Os dois são bem diferentes, Mayumi estuda medicina na França, Pedro estuda história no Brasil, ela é extremamente racional e ele totalmente emocional, mas ambos estão ligados por uma pessoa muito querida. O amor entre os dois pode realmente esperar até que os dois estejam formados e satisfeitos com suas próprias vidas?



A parte que interessa:




Vou começar elogiando o livro e o autor, mas não vou ficar só nisso, claro. Tenho muito o que dizer sobre essa leitura, mas não vou estendê-la demais (eu acho).

Primeiro de tudo, o livro chegou em minhas mãos por indicação de um novo amigo que trabalha na Biblioteca Municipal. Uma sugestão. Um romance que teria o objetivo de dar-me ideias literárias acerca de tornar-me um escritor. É um romance juvenil e ganhou o prêmio jabuti e, sim, eu gostei bastante do livro, mais do que achava que gostaria. Ponto.

Não há como negar que o autor sabe escrever e muito bem. A história te prende o tempo todo e ele consegue em muito poucas páginas (136 páginas) elaborar muito bem seus personagens (a ponto de nos fazer gostar e odiar alguns deles). É uma história curta mas de sentimento profundo. É um livro realmente muito bom... mas nem tanto.



Coisinha chata:




Uma coisa que me frustra muito é o uso indiscriminado de citações, versos, frases inteiras de autores e livros famosos. Tudo bem que nesse enredo isso caiu como uma luva, mas a ponto de ganhar prêmios de literatura? Sim, porque eu tenho percebido que os prêmios são dados àqueles que fazem um uso constante de intertextualidade. Não é uma reclamação em si, é mais uma constatação. Parece que os autores reconhecidos são sempre aqueles que fazem menções a outros grandes autores. Chatice da po#$@!!

Vejam bem, eu gostei da história aqui contada, gostei dos personagens e a leitura é muito agradável, eu recomendo que leiam também. Só estou aproveitando o ensejo para inserir minha opinião (que como já disse milhões de vezes, não vale nada). 



Pagamos caro por leitura:




Outra coisa frustrante é o preço do livro. Minha leitura veio da biblioteca ("de grátis"), mas ao procurar informações para essa resenha eu me deparei com R$39,90 (na loja da própria editora)! Que isso? Estão loucos??? O livro é lindo, mas quarenta pratas por um livro de menos de 150 páginas? E mais, a versão digital custa R$25,00 (no mesmo lugar)! Sério isso????? Esse preço é pra pagar o consumo de dados do seu G3 para enviar o livro pro meu email??? Eu sou trouxa???? Onde esse mundo vai parar?

Mais uma informação, o livro tem apoio de várias leis de incentivo à cultura, então por que esse preço????? Tem muita treta rolando por aí. Fiquem atentos!



Risco e rabisco é arte?




E eu não podia deixar de falar da "linda" arte da capa e do interior do livro. Sim, estou sendo irônico! Que porra é essa??? Adrianne Gallinari, eis o nome da "artista". Agora vou usar linguajar das ruas para ser mais claro: "Na tora, véi, que merda é essa? Minha priminha de dois anos desenha assim!"

Olhem só:



Isso é um desenho de arte??? Jura??? Então, por favor, anotem aí: estou vendendo meus cadernos do pré-primário por 200 mil cada, alguém dá mais???







 Eu quero saber uma coisa, essa mulher é parente do autor ou do dono da editora, né???? Tem certeza que não??????????????????







Não perdendo o foco:




Para não parecer que essa resenha é um crítica pura, eu vou falar um mínimo do autor para completá-la...



O autor Rodrigo Lacerda! Bela estante! (a estátua não!)
E não é que o garotão aqui é neto do famoso Carlos Lacerda?!?!?! Não conhece? Você precisa estudar mais história do Brasil (vou te ajudar, vá direto para era Getúlio Vargas, fica a dica). 

O autor nasceu no Rio de Janeiro em 1969. Formou-se em história (diria que uma escolha lógica) na USP, com direito a mestrado e doutorado. 

Traduziu muitas obras, trabalhou na editora Nova Fronteira e seu primeiro livro foi lançado em 1995 entre outras coisas bacanas (quer saber mais?, jogue no Google)

Não tomem o meu protesto como algo negativo. O que eu não queria deixar de dizer é que a escrita do Rodrigo é de fato muito boa, cativante, ágil e de muito bom gosto. Eu fiquei admirado com a prosa do autor e provavelmente lerei seus outros livros, muitos deles premiados repetidas vezes!





O beijo (revisão)




Então, depois da tristeza de ontem, eis que eu acho no meio de todas as coisas que eu já escrevi, esse texto em verso sobre beijos e mais beijos. Não lembro se foi para alguém, para uma pessoa em específico, nem sempre escrevo para alguém, mas como já se passaram mais de 5 anos esse texto vai, é claro, para a pessoa amada. Para quem eu não me canso de dedicar as poucas coisas que eu sei fazer para o muito que ela me oferece. Esse é para você... (mais um)










O beijo



Te beijo, te beijo sim....

te beijo com vontade, te beijo com suavidade, te beijo com desejo, te beijo do meu jeito
te beijo na boca com paixão, te beijo com amor, com calor, como o frescor de uma bela manhã

te beijo da forma que você me beija, te beijo com o meu beijo que só eu beijo
do jeito que beija eu, serás beijada, serás desejada e num beijo serás amada...

o beijo molhado, o beijo roubado, o beijo que entorpece o beijo que a gente nunca esquece
o primeiro beijo, o segundo e o terceiro, um beijo e meio, um beijo inteiro

beijo e te rebeijo, de um beijo até um outro beijo, do início do beijo até o fim do desejo
o desejo não para e o beijo não acaba, um beijo após o outro eu te beijo

no fim, só restará a lembrança do beijo, o resquício do amor, a presença da dor
dor que arrebata com o lembrar do furor, a imagem do nosso primeiro beijo de amor

sem medo, sem tristeza, só restará a beleza do que ficou
marcada no peito, o beijo do Pedro, no seu coração que sempre me amou
viverei ao seu lado, sempre grudado ao lábio que me tocou
beijo beijado, beijo suado, beijo que beija, o beijo do amor... 




Publicado originalmente no dia 19 de junho de 2010, sábado.




segunda-feira, 29 de junho de 2015

29 de junho há 75 anos




Pedro Guatemar Delavia, meu pai!





Não apenas uma data qualquer, seria o dia que meu pai faria seus 75 anos. Pesados e penosos anos...
Quanta coisa aprendi com ele, quanta coisa deixei de aprender. Quantos sentimentos...

Como é difícil expressar exatamente esse sentimento, algo tão doloroso, doído... 
Tenho de ser forte, é o que vivo repetindo para mim, é o que costumo fazer...

Nem sempre seguro as pontas e desabo em rios de lágrimas, nem sempre sou duro...
A falta existe e aos poucos ela vai se abrandando, mas quando aparece, massacra...

Gratidão, palavra forte que aprendi ontem... obrigado, pai.
Perdão, pai, por tudo que deixei de dizer... te amo.




Verdades da vida









Você realmente acha que a vida é dura?
Então você viveu muito pouco tempo!

Você tem certeza que a vida é muito dura?
Então você viveu tempo suficiente!

Você riu da vida e disse "foda-se!" para os problemas e continuou sorrindo?
Então você viveu a vida plenamente, parabéns!!!




domingo, 28 de junho de 2015

Poucas e boas




O dia estava frio,
a vida também

vieram-me os livros
e também meu bem.

andamos, cansamos
lutamos, corremos
 
comemos e dançamos
saltamos e vivemos
 
dia frio, lindo dia
bom é assim
 
tremer e suar
você só pra mim!




sexta-feira, 26 de junho de 2015

O Pistoleiro (A Torre Negra) - Stephen King - Editora Suma De Letras






Arte referente ao livro. Você notou a torre???


Antes de mais nada, desculpem-me pela demora das resenhas (tenho mais duas ainda para postar). Pelo visto eu leio mais "fácil" do que escrevo. Quem quiser acompanhar e me seguir lá no Skoob (clique aqui) para saber o quê é que eu ando lendo, sintam-se a vontade! (Eu sempre sigo de volta! rs)


Minha opinião deve sempre vir antes do enredo:



Alguém perguntará: por quê?, mas a resposta é clara, enredo está muito mais próximo de uma sinopse do que uma opinião, e como o que vale aqui nessa resenha é a minha opinião...

Não tenho muito conhecimento de King, confesso. Só tinha lido um livro dele até então (Salem's lot - que aqui no Brasil teve o imbecil título de A Hora do Vampiro). Mas vi muitas de suas entrevistas e estou lendo também On Writing, que não é um romance. O que prova que eu não sou sumidade nenhuma nesse autor. (Vale dizer que eu vi quase todos os filmes, minisséries e séries baseadas em seus livros? Não, né?!)

King é um escritor de respeito, todos sabem disso. O cara escreve muito (tanto no sentido quantitativo, quanto qualitativo), mas toca guitarra muito mal (sei do que estou falando), ainda bem que ele é famoso pela escrita! (rs). Suas obras, geralmente, trazem questões metafísicas e temos muito disso nesse livro também. O autor, logo no início (dessa última edição revisada), explica o seu intento de criar uma grande história, uma epopeia (em prosa) fantástica como Tolkien fez. (Mas não precisava dar o nome de "Médio" pro mundo, né?!)

O livro não é longo (224 páginas, o meu está na versão digital), mas é bem descritivo e não é no sentido de falar de um cenário. King aborda sentimentos e lembranças, além de passear pelas viagens mentais e espirituais de seus personagens. Eu custei um pouco a me adaptar, mas não foi difícil. Você acaba gostando de alguns pontos filosóficos levantados pelo autor. (Bom, ao menos eu gostei) Destaco uma conversa sobre o tamanho do universo e suas dimensões que são descritos exatamente como eu entendo o mundo (deve ser por isso que eu gostei!).

O Pistoleiro é praticamente um livro sobre jornada (e você não vai chegar ao fim dela, pois são sete volumes mais um outro livro que se passa no mesmo mundo) e é o primeiro volume da série Torre Negra. Aqui o mundo é árido, desértico e pós-apocalíptico (eu senti sede lendo o livro), mas eu levantei uma questão durante o livro inteiro, principalmente quando o personagem encontra Jake, será tudo uma grande alucinação? Não sei dizer, mas sei que eu fiquei com essa sensação até o final...

Minha versão digital dessa obra.
Claro que Stephen nos faz o favor de terminar o livro sem respostas suficientes (na verdade quase sem resposta nenhuma), mas eu realmente não gostei muito do final, pois ele elabora uma trama para justificar uma vingança, mas essa "vingança não é vingada" e fica uma coisa meio (totalmente) vaga! Mas essa é apenas a minha opinião. E nada disso me fez ter menos vontade de ler os outros volumes, pois realmente quero entender o que se passou aqui.

Um aviso importante: o autor diz que quis fazer uma grande saga, como Senhor dos Anéis, ele fez, mas não quer dizer que tenha algo a ver (minha conclusão de leitura de apenas um volume, lembre-se). Acredito que a maior semelhança esteja na famosa jornada (diga-se eterna, a lá Campbell) e na busca incessante.

Não sei das outras obras do autor, mas essa me soou um tanto quanto poética! Não estou dizendo isso pejorativamente, eu até gostei muito disso. Mas como eu disse, isso dificulta a leitura. Eu gosto muito de poesia, mas fico imaginando alguém que deteste tentando ler esse livro, vai ser difícil!

O livro tem cenas de ação muito boas que dão aquela guinada na história. São bem narradas (claro, o cara é um mestre) e nessas horas a leitura avança sem você nem perceber. É como assistir um filme com aquelas cenas de tiroteios enormes! Magistral!


Enredo, finalmente!!! (cala a boca, Pedro):




Roland Deschain é um pistoleiro, último descendente de um clã de homens treinados para matar (com honra! rs). O mundo onde vive é um imenso deserto sem esperanças e quase sem vida. O objetivo de Roland é vagar por esse mundo atrás de um sujeito que ele nomeou de "O homem de preto", ele acredita que esse "mago" possa ter respostas para suas perguntas (o que é a torre?, por exemplo).

A Torre Negra é um grande mistério, mas que Roland perseguirá até as últimas consequências. No caminho, ele conhecerá algumas personagens que o ajudarão, cada qual a seu modo. Jake (John Chambers) acaba aparecendo no mundo do pistoleiro e é ele quem acompanhará Roland na perseguição ao homem de preto. Sua participação é fundamental nessa trama de fim trágico. As realidades se misturam e se completam nessa história que além de "mágica" tem um quê de velho oeste!



Conclusões finais (ufa):



Vale a pena ler o livro? Ô, se vale! Vou me arrepender de ter lido? Não, de forma alguma! Vou querer ler os outros volumes? Só se você não quiser saber as respostas às perguntas que serão levantadas nesse volume! O Stephen King é um cara prolixo? Siiiiiiiiiim!!!!! (e isso é muito bom!!!!)

Mas sério, eu quero entender a trama, quero viajar por essa história e quero também esmiuçar esse mundo caótico e estranho que o autor criou! Eu não sei vocês, mas eu gosto muuuuuuuuuuuuuuuito de histórias longas e esse livro é só uma pincelada em toda uma grande saga que vem por aí. Então eu recomendo muito, mesmo que você seja um chato(a) que não gosta de ler coisas longas, arrisque-se!

Termino com uma boa frase do livro: "Vá, então. Existem outros mundos além deste."



Sobre o autor, sim, aquele sujeito com cara de doido:

 

 


Stephen King, fevereiro de 2007
Quem nunca viu ou leu King que atire a primeira maldição! Stephen Edwin King, nasceu em Portland, USA, em 1947. Sua estreia como "publicador desenfreado" de livros foi com "Carrie, a estranha" em 1974.

E é só isso que eu vou falar dele, pois eu tenho tantos livros do autor para ler ainda esse ano, que logo eu abrirei um verbete maior no Wikipédia com mais informações sobre esse gênio esquisitão! Aguardem!











quinta-feira, 25 de junho de 2015

Cara Livro - Crítica Pura #1










Oi, eu sou dono de uma grande empresa. Sim, sou rico para caralho! Sou dono de uma enorme rede social em temas azuis e brancos onde todos criam suas contas. Geralmente são pessoas não tão afortunadas como eu, na verdade, são uns pobres mesmo. Mas, eu sou mais eu e não me importo com isso.

Bom, o que eu quero dizer nessa cartinha que estou enviando para lugar nenhum é: sabemos que todos vocês são idiotas, que todos vocês não são dignos de respeito, então, apenas me obedeçam e continuem utilizando minha linda rede social (que inclusive é uma das páginas mais pesadas de toda internet e você, cidadão que tem a internet lenta, geralmente 3G [seu pobre], ou um computador ruim demais, gasta horas esperando para poder acessar sua conta). Lembrem-se: é uma ordem!

Ah, já ia me esquecendo. Se você tem um grande projeto e quer divulgar aqui na minha rede, aconselho que faça o seguinte: primeiro você monta a sua página (só nisso eu já tento dificultar a sua vida), depois você começa a adicionar pessoas da sua lista de amigos (aqui eu tento dar uma sacaneada e não disponibilizo todos eles só para piorar as coisas. Não se culpem, são coisas de milionário sádico), em seguida eu vou ficar te mandando propostas para você pagar para que sua página seja divulgada (afinal, milionários sádicos sempre querem mais e mais dinheiro). Sim, farei isso todos os dias. 

Mas tem mais. Não importa o quanto você traga pessoas para a minha rede, o quanto você anuncie me pagando, o quanto você seja famoso ou famosa, o que eu sempre vou querer é o seu dinheiro, nada mais. Mesmo que você esteja contribuindo e me trazendo mais e mais pessoas (principalmente os analfabetos que dizem "mim adisiona aeh" [amo essa gente!]) eu continuarei lhe cobrando. Ah, e se a sua página tiver mais de não sei quantas pessoas curtindo, eu lhe cobrarei mesmo que você não queira, ou você me paga ou eu não deixarei ninguém mais curtir você!

Eu tenho muitas outras coisas para dizer sobre as minhas grandes ideias de como tomar o seu tempo e o seu dinheiro, deixá-lo puto, insatisfeito, mas, como um toque de Midas, mantê-lo aqui para todo o sempre!!! Mua há há há há (risada sinistra). Era isso, agora eu preciso ir, tenho uma grande reunião com outros idiotas, ops, acionistas num importante castelo de alguma outra família rica que eu ainda vou convencer a entrar na minha rede!

Abraços do tio Mark!




As muitas coisas do pouco tempo que me resta







Ao ler esse texto você logo pensará
: É mais um verso, pois vejo linhas
divididas em estrofes...

será?

Contudo, observe novamente o título
desse pequeno texto... viu? Reparou
? o que você pensou ao lê-lo?

bom...

O tempo permeia a minha vida, querendo
eu ou não! Só me entrego. Vejo
positividade até no negativismo

só para 

concluir que, independendo de ter tempo
ou não, o que resta é fazer tudo o que se
tem vontade, mas vontade de quê?

ter mais tempo

Pretendo ser atemporal, desenvolver
um novo poder. Ei, não confunda com 
imortalidade, nada a ver, cara!

Leia o título (só mais essa vez)

O poder de ser atemporal vem com uma
responsabilidade: viver à margem
e não imerso na história

sério?

Alguns esquecerão, outros irão duvidar
, mas não resta dúvida
. o poder é assim

misterioso

Mas são tantos ensinamentos e tanto o quê
aprender, que eu até me pergunto
: já não estou vivendo fora da

história?

Sim, são muitas coisas para muito pouco tempo
, mas não me importo, pois o que importa
é sempre ter mais o que fazer

do que tempo para gastar

!



terça-feira, 23 de junho de 2015

Mr. Robot - USA - Primeiras impressões







Finalmente encontrei uma série que me prendeu a atenção e que me fez desejar muito ver o próximo capítulo. Adoro encontrar coisas para assistir (e também ler) que desafiem o meu pensamento e não somente criem situações infantojuvenis que afastam-me e causam-me repulsa. 

Faço um adendo aqui, uma reclamação. Não sei quanto a vocês, mas eu estou de saco cheio de ver coisas idiotas se espalhando pelo mundo. Precisamos de coisas criativas, pois o mundo, por mais que se repita, tem de ser original, certo?!

Continuando...

Do que se trata essa série?

Elliot é um hacker esquisitão, um sujeito muito perturbado (palmas para o ator, me convenceu, o cara realmente é muito bom) que vive em dois mundos (talvez até três): a sua vida rotineira e cotidiana e o mundo das redes virtuais (não, ele não entra diretamente na Matrix) onde atua como um justiceiro, denunciando pedófilos, entre outras coisas. E, possivelmente, Elliot pode estar imaginando um desses dois mundos, ou quem sabe ambos.
Ele trabalha numa grande empresa que cuida dos dados de uma ultra mega power corporação chamada Ecorp (Evil), que domina uma enorme fatia do mercado responsável pela tecnologia e seus avanços. Seu trabalho é impedir que os dados das empresas seguradas sejam invadidos ou corrompidos (seria ele um antivírus humano?).

A história é quase igual a todas as outras, mas é esse "quase" que faz a diferença. O rapaz gosta da mocinha, a mocinha não sabe que o rapaz gosta dela. O rapaz é um cara nerd, mas com desvios psicológicos aguçados que o leva até ao uso de drogas pesadas (não é um desses nerds que nem álcool tomam). O rapaz conhece um outro cara que quer uma coisa dele (não, nada de sexo, apenas trabalho) e...

Aqui é que está toda a treta da história, você não sabe se as coisas que acontecem são coisas reais ou apenas um distúrbio do personagem. A beleza dessa série (ao menos nesse ótimo primeiro capítulo) está aqui, nessa trama desajustada de comportamentos suspeitos.


O que importa na resenha é a minha opinião:




Christian Slater, já fez muita mulher com mais de 30 suar na intimidade!
Sabendo que eu estou cansado de tudo que se repete, de todas essas séries de jovenzinhas excitadas com galantes personagens sem conteúdo, de atores que recebem pela aparência e não pela interpretação, sabendo que eu sou um Ser extremamente crítico de gosto refinado pela prepotência e arrogância (nossa!!! ui), sabendo que eu odeio qualquer coisa que não tenha uma mínima história que se destaque, mesmo sabendo disso tudo, você ainda vai teimar em não assistir uma série que eu estou recomendando e dizendo que é boa? Se a resposta for "foda-se o que você acha" (ou algo do tipo), então você é mais chato do que eu e vai perder de ver uma provável excelente série.

Rami Malek, cara de maluco convincente, não nessa foto!
Destaque para os antigos consumidores de filmes (como o vovô aqui) que poderão ver o Christian Slater fora das telonas e de volta ao grande público. Acreditem se quiser, esse cara era um galã na minha época!

E meu principal destaque vai para (além da trama, é claro) o protagonista da série, que eu fiz questão de procurar o nome do ator, só porque eu gostei muito da cara de maluco do sujeito; Rami Malek!


Bom, é isso! Volto no final da série, seguindo o novo protocolo de textos (que é escrever menos de 25 linhas) para fazer uma avaliação sobre essa minha aposta. Espero não estar errado quanto ao sucesso dessa bagaça. Serão dez episódios e o último irá ao ar lá pro final de agosto. Até lá muita coisa pode dar errado (não é que eu seja pessimista, só estou carimbado de tanto ver coisa ruim). Hasta!




Rami Malek = Elliot e Mr. Robot = Christian Slater, dupla do barulho?




segunda-feira, 22 de junho de 2015

Sentado no trono (escatológico)





Sentado no meu trono dou ordens
ordeno a todos os meus escravos
que desçam sem desordem
sem manchar as paredes 
sem esbaldarem-se na água

sou tirano, então ordeno:
afoguem-se!
e todos os meus súditos
sem hesitar, escoam-se 
ralo abaixo.

triste isso?
não!
pois no meu trono
sou rei

rei de toda essa merda!



Aviso importante




Ainda pensando muito sobre esse assunto blog...

Realmente acho um desperdício de tempo investir horas em contos, histórias, versos e afins que não serão lidos nem divulgados. E pensando incessantemente nisso eu cheguei a duas conclusões:

Primeiro os textos precisam ser ainda menores. Mais compactos e sucintos. Junto aos textos, quando eu os postar, colocarei indicadores do tamanho desse texto. Tentarei fazê-los da menor forma possível, mas para não estragar tudo apenas simplificando, quando isso não puder ser feito, eu avisarei sobre o tamanho do texto.

Tentarei fazer textos com menos de 25 linhas, que é o equivalente a meia página digitada. Chamarei esse tipo de texto de pequeno. Acima de 25 e até 50 linhas, que é o equivalente a uma página inteira digitada eu chamarei de médio. E, obviamente, tudo que exceder 50 linhas eu chamei de grande.

Para esse texto ser curto, irei contar a segunda coisa e terminá-lo. A partir de agora, além de produzir textos curtos e concisos (em sua maioria), eu darei mais atenção ao meu livro em si. Tratarei de escrevê-lo o quanto antes e comentarei sobre o seu progresso no meu "diário" aqui do blog.

Bom, é isso, texto curto. Faço isso porque, como eu disse, eu também não gosto de ler em telas. Logo arrumarei um jeito de todo mundo (só interessados) baixar meus textos para serem lidos nos seus devidos (e preferidos) leitores digitais. Abraços.


sábado, 20 de junho de 2015

Mais forte que a palavra




Tem dias que nem o mais apaixonado escritor
quer escrever

Em dias assim, o melhor a fazer pode ser
não fazer nada

Mas existe a opção de tentar traduzir o sentimento
arriscando um texto

ou verso

Mas o que não importa mesmo para ninguém
é o motivo de não querer escrever

Pois se o escritor transmite sentimentos num texto
por que iria querer não fazê-lo

(interrogação)

Talvez isso não importe de fato, não, não
talvez o melhor seja rejeitar

rejeitar a ideia de não escrever
e escrever

mesmo que o sentimento
seja mais forte do que a 
palavra...




sexta-feira, 19 de junho de 2015

Na corda bamba! - O diário de um artista quase frustrado #4




Quando o cotidiano é usual demais:




Minha mãe e o meu gato Smeagol !
Foi uma bela manhã... sim, até que foi. Deixei tudo de lado, nada de ligar o PC e nem ficar vasculhando a internet. Não tinha hora para sair e nem tinha que correr com tudo. Fiquei na minha, deitado no sofá, eu e o Smeagol, lendo um bom livro, a propósito, um ótimo livro (até agora). Ficamos assim até a hora do almoço (a hora do almoço das outras pessoas), quando eu finalmente levantei para preparar o meu (resultado, comi lá pelas três e meia da tarde). Mas de qualquer forma, foi uma boa manhã!

Meu arroz ficou bom e meu feijão (fazia um tempo que não preparava um) ficou melhor ainda. Comi feliz vendo uma série nova (que vou ter que resenhar a favor se ela não ficar ruim, aí eu sento o pau), tirei meu cochilo, fiz meu café, arrumei tudo da galera canina, toquei um tempo, escrevi algumas coisas, li mais um pouco, tomei um banho e dei aula. Quando tudo parecia começar, já era o fim do dia. Sim, os dias voam, como todo o tempo desse mundo. 

Ah, deixem-me falar de uma outra coisa, essa é até importante. De ontem para hoje eu fiquei matutando um assunto e percebi que eu não gosto de ler blogs. Sim, eu leio alguns, ao menos uns três dias da semana eu passo um bom tempo lendo-os, mas eu não gosto. Não por causa de seus autores, pelo contrário, não aguento não ter o que estou lendo em mãos. Eu preciso segurar o que será lido. Na tela do PC é uma merda ficar lendo. Meu celular é muito fodido para ficar acessando blogs dele. Não consigo pegar gosto por isso. Aí, o óbvio me acometeu: ninguém deve gostar de ler também (claro que há exceções).

Ainda estou pensando nisso. E isso está me incomodando. A coisa que eu mais gosto é, livros. Sim, milhares e milhões deles. Esse é o meu gosto. Meu leitor digital também me agrada (não tanto quanto os livros físicos, mas me agrada), mas ler numa tela é um saco, um grande porre. Então eu entrei numa crise existencial: para quê fazer um blog?

Nessa onda eu tive um monte de ideias e pensamentos e queria muito que alguém comentasse comigo alguma solução. Eu pensei em disponibilizar meus textos para baixar, ou quem sabe imprimir alguns deles e vender por cinquenta centavos. Sei lá, qualquer coisa menos uma tela de PC. Como eu disse, ainda estou pensando muito nisso. Mas uma coisa eu concluí. Tenho que ser ainda mais breve e brando. Coisas longas são ainda mais desestimulantes. Ler alguma coisa num blog (entenda tela) é chato, grande então, é um porre. Fazer textos curto, fazer textos curtos, mas sou prolixo pra "carái, véi"!

Sei lá, acho que sou acometido por uma voz que diz, "ei, vá ler seu livro, não perca tempo lendo uma tela!"

Coisas da minha mente insana!


Quando o guaraná era envasado com rolha:



Eu notei que eu falei muito da minha vida como desenhista, mas lembrei de um detalhe importante da minha vida de leitor. Já disse que tinha gibis mas não os lia de fato (exceto Bolinha e Luluzinha), mas isso não queria dizer nada, não era um desafio. Eu lembro que uma revistinha em específico mudou todo esse conceito em mim, era uma HQ do Homem-Aranha, uma edição especial, de luxo, que um amigo de infância (valeu, Alexandre!) me emprestou. Cara, eu me apaixonei pelo personagem e ele permanece sendo o meu preferido até hoje.


Achei a capa da revista! Uhul, foi essa aqui!!!!


Se não fosse o Alexandre abrir mão da sua edição de luxo, eu jamais teria amado gibis, ou não! Vai saber. Só sei que, desse dia em diante, eu comecei a ler (e torrar tudo o que eu tinha de dinheiro) em HQs de super-heróis. Todos os títulos me apeteciam e, desse ponto até encontrar boas literaturas, foram-se mais alguns longos anos. Mas não me queixo, foram as HQs que me trouxeram até aqui. Aquele que nunca leu um gibi que atire a primeira onomatopeia!!!



Mais distante do que o agora:




Riiiiiiiing.... Riiiiiing.... Riiiiiing....

- Por que você ainda usa esse toque no seu "PulseCel"?

- Sou um conservador dos bons sons, talvez... pera aí... alô?

- Cara, quem fala "alô"?, af...

(- Shiu, to atendendo uma ligação!?!) Sim, sou eu!... hum... aham... não... pode ser... não, isso não... ãaaan... não... não... não... não, sai dessa, não quero escrever mais uma ficção sobre a colonização de Marte de novo, todo mundo já fez isso. Não, não me ligue mais. Já tenho minha ideias para outras dimensões e multiversos. Se quiser coisas de Marte contrate os escritores de lá. Passar bem!

Tu... tu... tu...

- Cara, quem ainda fala "passar bem"?????



Olha a gente, aqui e agora:



Lendo muito, sim, isso é bom, sempre. Mas com esse dilema "bloguiano" para resolver. As ideias musicais andam bem, já comecei a preparar meu novo material didático focado no "ouvido". Sim, reparei que, assim como eu, ninguém aprende música desenvolvendo o seu ouvido como prioridade e é isso que eu estou fazendo agora. Dando prioridade ao ouvido dos meus alunos para torná-los independentes, mais autossuficientes, como sempre deveria ter sido. Mais para frente eu faço a devida propaganda disso.

Ah, "muita coisa boa" estar por vir, isso é fato. O que não pode acontecer é perder o foco. Agora eu me vou, pois "muita coisa boa" ainda há de ser feita. Abraços!!!






terça-feira, 16 de junho de 2015

Entendendo a natureza do tempo







Existe beleza no tempo?
A beleza de ir-se embora
Mas é mesmo plausível a sua existência?
O tempo vale para os que nele vivem
 
Como não fazer parte do tempo?
Compreendas o valor do instante
 
Onde repousa o tempo e a vida?
Onde supostamente encontrarás um fim

O tempo é o senhor do destino?
O tempo é o mestre das ilusões

És maior do que o próprio tempo?
Não podemos ser maior do que o nada

Tudo então se finda e termina?
Nada na verdade nunca começou

Tu és então O tempo?
Cala-te, tomas o meu tempo






A Lenda...




Eis aqui mais um dos meus textos já postados, esse, diferente do restante, chega a quase ser uma fábula. Fiz algumas modificações nele para prestar uma espécie de homenagem à minha amada mulher, espero que ela compreenda meu intuito!

Esse era um conto em forma de folclore, não do nosso país, claro, pois aqui não existem dragões, só daqueles do tipo: esforçados que singram pela arte atrás de estabelecerem-se em todas as possíveis lendas um dia contadas por nosso povo...




 

A Lenda...



Existe uma lenda, que diz que um admirável e exuberante dragão, desceu dos longínquos céus para poder amar plenamente o ser que ele mais admirava em nobreza e em beldade, uma perfeita ave. 

O dragão amava o jeito singelo daquela ave voar, batendo suas assas para forçar a sua subida e planando suavemente para descer. Ficava curioso acerca de suas penas, todas pomposamente sobrepostas de forma a fecharem-se igualmente por todo seu corpo formoso. 

Ele via a aerodinâmica daquele lindo espécime e estudava-o da ponta de seu fino bico até o desenho simétrico da cauda... Vê-la rasgar o vento num voo rasante era indizível... e ele ficava lá do alto, admirando-a.
 
A ave não conhecia o que existia acima das nuvens, muito além de todas elas, não sabia que o voo podia se estender a tanto. Ela não tinha o costume de olhar para o alto, pois já se sentia sempre no topo enquanto voava despreocupadamente. Então, sequer viu quando as nuvens se abriram e o imenso ser mítico aproximou-se pela primeira vez...

O voo do dragão, ao contrário do que todos pensam, assemelha-se a um leve ondular que ele realiza com o seu corpo, pois esse ser milenar não possuía asas e sim um poder inimaginável que lhe dava essa condição. E, assim sendo, ele ondulou pelo espaço até alcançar os ventos e postar-se alguns metros acima do voo daquela linda ave.

- És a mais bela de todas de tua espécie, encantas-me tu com teus perfeitos movimentos e tua magistral sabedoria...

A ave espantou-se e rodopiou pelo ar, pois a voz do dragão parecia o rugir de cem feras e suas palavras ecoaram pelos sete ventos como imensos trovões! 

- Como podes afirmar o que não sabes, ó, ser imenso! O que és tu? - ponderou a singela ave que não pôde parar de bater as asas para responder ao incólume dragão.

- Aqui, pouse em minha cauda, ó, rainha dos ares, para que possamos conversar! - afirmou estrondosamente o ser magistral. Este articulava-se sem dificuldades em meio ao nada e estendeu sua parte inferior para servir de ninho para a ave.

Ela assim o fez e pousou na enorme cauda estendida e imóvel, suas penas esvoaçavam lindamente com o agitar dos ventos daquela altura. Eles se olharam. Os olhos daquela ave eram estreitos e vorazes, perfeitamente mortais. Os dele eram gigantescos espelhos das eras, seu olhar era brilhante e musical.

- Sou um dragão, e quero tomar-lhe como companheira, ó, rainha dos ares. - sussurrou o monstro para não ser deseducado, mas mesmo assim sua voz ressoava como uma floresta sendo devastada.

- Acho graça de tuas palavras, ó, titã, mas não há possibilidades de sermos compatíveis.

- O que é mais compatível a nós do que todo o espaço a nossa volta? És bela e tua plumagem me encanta. Não são repugnantes como minhas escamas e esse grossos pelos que saem de minhas ventas...

A ave sorriu com os olhos e ouriçou suas penas no gélido vento. O dragão chiou profundamente, como a liberar um grande estoque de ar que estava em seus pulmões.

- Fico lisonjeada com tuas palavras, oh grande dragão... mas o que queres tu, com um animal de minha espécie? Não vês que meu voo é apenas entre o espaço e a terra? Não vês que és imenso e que sou esguia perto de ti?Concordas comigo que isto não passa de uma ilusão?

O dragão arfou profundamente e depois respondeu estrondoso:

- Vejo que lhe faltam pequenas coisas como a sensatez, minha cara, afinal, sou um ser místico, existo para teus olhos apenas e pra nenhum outro mais. Sendo assim, porque duvidas de minhas intenções para contigo? Se estou aqui, diante de ti, é para que também me queiras, assim como lhe quero por milênios até o fim.

- Mas somos tão diferentes e...

- Não estás me ouvindo com atenção, não é uma questão de escolha, estamos predestinados a uma vida juntos, nascemos para vivermos lado a lado...

- Perdoe-me então, mas como respondes o fato de vivermos pra sempre juntos se somente tu és imortal?

- És graciosa até em teus equívocos, minha bela. Viveremos a eternidade de nossos corações, unidos pelo amor que sentimos um pelo outro... por era, milênios, encarnações e pensamentos.

- Como podes saber de meus sentimentos se mal te conheço, fera indômita?

A ave estava admirada, mas não sabia o que aquilo tudo, surpreendentemente novo, lhe representava. Podia ser verdade o que o grande dragão lhe dizia? E, como lendo seus pensamentos, o dragão num penetrante e intenso olhar lhe revelou:

- Olhes tu em meus olhos e responda, podes não desejar a eternidade em experiências inigualáveis e viveres feliz ao meu lado para singrar os céus e o universo apenas com o desejo de teu pensamento? Amo-lhe, pois admiro tua força, tua destreza, tuas habilidades, teu carisma, tua raça de viver e... já estou em ti antes mesmo de descer até aqui para falar-lhe... tu podes ser amada por mim... posso eu, ser amado por ti?
Ela não conseguia encontrar palavras e em silêncio permaneceu. O vento soprou suave e constante enquanto a ave refletia. Ele olhava-lhe as penas lisas que dançavam poeticamente, ela olhava-lhe o tamanho mitológico que se perdia no tempo. Num átimo, era como se tudo sempre tivesse sido e nunca houvesse de ser escolhido...

- Sim – ela respondeu tímida e carinhosamente – podes...

Assim, desde este dia, os céus tomaram outras formas e as nuvens também. O verde ficou mais verde e a natureza se regozijou em felicidade por tão bela união. O pensamento perdurou por era e vidas e os dias passaram como simples segundos. O amor ultrapassou o tempo e viveu singelo como um bela lenda...






Publicado originalmente no dia 24 de janeiro de 2010, domingo.



segunda-feira, 15 de junho de 2015

O povo gosta é de desgraça, então leia essa desgraça!




O que te faz gostar tanto assim de algo tão terrível? Cultura? Sua natureza? Sua criação? O quê? Realmente não consigo entender. Mas responda essa pergunta: você está aqui por causa da palavra "desgraça" no título, porque você esperava algo realmente "desgraçado", ou só porque está acostumado a ler-me? Reflita por um instante...

Outra coisa muito importante, por que é que algumas coisas são vistas comumente e outra são tão absurdas? Por que é que pessoas assistem e divulgam (já bloqueei todos que me mandavam) vídeos de crueldade, gente morta, assassinatos, bichos sofrendo, gente suicidando, execuções, catástrofes, fotos de corpos, gente partida ao meio, órgãos expostos, atropelamentos, acidentes automobilísticos, sangue, muuuuuuuito sangue e, em contra partida, essas mesmas pessoas se ofendem com um homossexual protestando contra a violência, essas mesmas pessoas se incomodam com seus filhos vendo cenas de sexo na TV, essas mesmas pessoas até arrepiam de ouvir as palavras "punheta e masturbação"!

Aí eu te pergunto, querido amigo (pra não dizer filho de uma grande puta): PORQUE É QUE PRA VOCÊ O SOFRIMENTO E A DESGRAÇA ALHEIA É COMUM, MAS A PORRA DO SEXO NÃO É????????????

Quem foi que te disse que morrer é mais legal do que trepar???? Quem foi que te falou que bater uma punheta é mais pecaminoso do que matar alguém e ficar divulgando isso para os seus amigos religiosos? Quem foi, o desgraçado e filho da puta que te criou, que disse que mandar gente despedaçada é mais divertido do uma piroca entrando numa boceta ou cu????? PAREM DE SER FILHOS DA PUTA!!! PAREM DE ACHAR QUE MORTE É NORMAL E QUE TREPAR NÃO É!!!

Um pinto, uma boceta, um cu e umas tetas não são motivos de ojeriza, pois trazem prazer, diversão e até procriam, já o caralho da porra dos vídeos que vocês divulgam só dão nojo, pesadelos e repulsa! Ah, deixe-me te contar mais uma coisinha: se você não sente nada disso, você é um(a) sádico(a) com tendências sociopatas!

Eu estou vendo uma nova inquisição chegando por conta de um bando de falsos moralistas, gente que trepa escondido e que divulga vídeo de gente morta e violência! Gente que aponta o dedo na sua cara, mas que não tem uma gota de virtude para mostrar a ninguém!

Eu cansei de falar isso aqui no meu blog e pra quem quer que seja: vá estudar, vá ler, vá trepar, mas parem de ser um bando de monstros marginais que distribuem o ódio! Sua fé cega, seu cinismo, sua falta de cultura é que estão fodendo com o mundo, não é quem quer dar o brioco que fode com o mundo, são vocês, os amantes da desgraça!

E da próxima vez que for postar um vídeo ou foto de desgraça, ou contra o sexo, lembre-se que os monstros que cometem esse tipo de ação são os mesmos que matam e estupram, crianças, jovens e adultos! E você, sim, você, seu filho da puta, fica promovendo mais violência! Pega a porra de um livro e vá ler, quem sabe o seu tão magnânimo deus não te isente de tanta merda que você já fez!!!!

Obrigado por mais esse desabafo,

continuamos agora com a nossa programação normal de postagens!


Algum tipo de poder... (revisão)





Fiquei feliz em encontrar esse meu antigo conto, uma história muito divertida sobre um novo tipo de poder! Criei esse texto por causa da minha incrível e real habilidade de dar pau em tudo que é eletrônico. Seria uma história verídica? Sei que gostei muito de ter escrito e mais ainda de ter relido, espero que apreciem tanto quanto eu:



Algum tipo de poder...




Estava à toa na vida, pensando em algo de bom para fazer. E isso, para mim, naqueles dias, era uma coisa bem complicada. Estava desempregado, quase sem grana nenhuma e beirando a fome. Eu bem que queria estar trabalhando, construindo, ajudando alguém e até mesmo me divertindo com amigos. Mas eu estava tão 'deprê' que não animava fazer mais nada. E não me restando coisa nenhuma, fui fazer o que todo cidadão desempregado infeliz comum gosta de fazer numa noite chata: assistir TV.

Estava tranquilo esperando minha TV abrir a imagem – ela era tão velha que eu tinha que esperar de vinte a quarenta minutos para que ela funcionasse normalmente – para poder ver o programa, que até então, eu estava só ouvindo. Um lixo de programa, é claro. O quê mais um ser humano comum pode esperar dos programas televisivos de hoje? Ainda mais TV aberta. 

Enquanto esperava, pensei em comer alguma coisa. Olhei a geladeira e encontrei ali: um vidro de groselha, duas garrafas de água, uma caixa de ovos com dois dentro, um pote de manteiga pela metade, meio pacote de pão e um pedaço de queijo duro e embolorado. Não tive dúvidas. Levei para cozinha o que eu iria comer. 

Primeiro limpei o queijo, tomando cuidado para não tirar demais as partes estragadas e não sobrar nada; depois peguei duas fatias de pão, adicionei fatias finíssimas de queijo e coloquei-o no micro-ondas para derreter – e matar o que sobrasse de germes daquele alimento. Programei trinta segundos e quando estava faltando quinze, o aparelho desligou. Apagou. Verifiquei a tomada, depois os botões, depois o fusível e por último os disjuntores. Nada. Provavelmente queimado. Bom, não me importei com isso e tirei meu pão lá de dentro, que já estava suficientemente aquecido.

Sentei-me na cama, de frente para a televisão, e comecei a devorar meu pão com queijo. No meio da terceira mordida a TV que já estava quase se abrindo apagou. Gritei furioso e de boca cheia: “Maldição!!!”. Porém, antes de me levantar e procurar o defeito da porcaria da TV, terminei de comer o pão com muito desgosto. 

Levei o prato para a cozinha e assim que acendi a luz, daquele aposento escuro, ouvi um estalo e vi um flash. A lâmpada havia se queimado. Voltei para o quarto e procurei o defeito da televisão. Cocei a cabeça, desconcertado, e comecei a juntar os fatos. Alguns meses antes, quando estava para ser mandado embora e precisava já de dinheiro, havia ocorrido algo semelhante. Matutei, matutei e por fim percebi que alguma coisa estava acontecendo. 

Sentei-me na mesa da sala e liguei meu velho computador. Ligou da forma correta – o que quer dizer que demorou muito. Iniciou-se e estava eu lá, a digitar, quando ele começou a travar. “Tudo bem”, pensei, “computador velho é assim mesmo”. Esperei um pouco, pacientemente, aguardando que ele voltasse e eu pudesse salvar o que já tinha escrito. Passou alguns minutos e ele voltou. Dirigi a seta do mouse até o 'salvar' e antes do clique, a porcaria toda desligou-se. Apertei o power novamente. Ouvi um barulho e um estalo e nada. Angustiei-me. O que era aquilo?

Voltei para o quarto deitei-me. Joguei os chinelos de lado e me cobri com um lençol. Não se passaram dois minutos e a luz da casa sumiu. Levantei mais mal humorado do que de costume. Tropiquei até chegar na cozinha, procurei uma caixa de fósforos e risquei um. Fui riscando um atrás do outro até encontrar uma vela. Acendi a maldita vela e ainda me queimei com a cera. Fui até o painel de força, liguei e religuei tudo e nada. Só podiam ter cortado minha luz. O que seria normal para aqueles tempos de recessão.

Voltei para cama e desisti da vida. Estava quase pegando no sono quando uma ideia surgiu de repente. Num pulo estava de pé. Peguei a vela e procurei na gaveta perto da escrivaninha uma coisa. Depois de revirar todas as gavetas, na última, eu encontrei a lanterna. Essa eu havia comprado no mês anterior com meu último dinheiro do seguro. Estava novinha em folha e até pilhas novas eu possuía. Era o teste final. Coloquei as pilhas recém tiradas da embalagem dentro da lanterna e liguei-a. Aquele clarão iluminou muito bem tudo o que eu apontava. 

Deitei segurando a lanterna apontada para o teto. Fiquei ali um tempo e, antes que minhas suspeitas fossem por água abaixo, a lanterna tremeluziu seu facho e apagou. “Perfeito!” exclamei exaltado. Vesti minhas calças e minha blusa, calcei os sapatos e fui para rua. Atravessei a rua correndo e fui para o banco perto de casa. Tirei meu cartão – que eu sabia que estava zerado – e introduzi no caixa eletrônico. Comecei a fuçar nas opções esperando aquilo acontecer e, antes de receber o aviso de 'saldo insuficiente', o caixa apagou. “Maravilha!” comemorei em voz alta.

Saí do banco renovado, disposto a aprender mais sobre aquilo. Sempre li histórias em quadrinhos na minha adolescência, mas nunca pensei que seria desse jeito. Eu realmente possuía algum tipo de poder, era um fato e eu iria provar para mim mesmo que o tinha. E estava pronto para testá-lo mais vezes...

Quando era criança, imaginava-me podendo voar, carregar coisas pesadas, ricochetear balas, atravessar paredes com os punhos, dissolver coisas com o pensamento... tudo, menos que meu poder seria o de estragar qualquer coisa elétrica e eletrônica. No caminho por onde estava andando, havia estacionado um carro com o alarme disparado e tocando irritantemente. Nem pensei duas vezes. Encostei no teto do carro e esperei a mágica acontecer. Acho que devido a minha empolgação o efeito veio mais rápido. O veículo calou-se de imediato. Começava a entender o meu dom, mas ainda assim, pensava se não seria somente uma coincidência. Nada melhor do que continuar testando. 

Olhei à minha volta e avistei um orelhão. Retirei o fone do gancho e verbalizei: “estrague”, e a porcaria ficou muda no mesmo instante. Estava irradiante. Contente de possuir 'poderes', mas depois de vários testes – todos eles muito bem executados – percebi que eu não possuía uma finalidade. “Pra que serve essa merda?” 

Continuei caminhando pela rua e a medida que andava eu apontava para os postes de luz e dizia “apague” e ele se apagava. Fazia isso agora só por diversão. Não precisava mais tocar. Apenas apontar ou dizer. O efeito já era imediato. Enquanto me divertia, ficava tentando imaginar formas de sair da merda financeira. Precisava ganhar alguma coisa com isso. E nesse exibicionismo todo, fui deixando um rastro de destruição por onde passava. 

Quando olhei para trás, do alto da avenida que eu acabara de percorrer, vi o que eu tinha feito. Tudo apagado, estragado, destruído. E vendo aquela cena, parei, sentei e pensei: “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. Jargão a parte, eu percebi o quê tinha em minhas mãos. Aquela dádiva. Aquele estranho poder. 

Fiquei ali, sentado, por um bom tempo, refletindo, tentando descobrir o que fazer com aquilo. Venderia meus serviços? Quem iria querer alguém para destruir algo – algumas pessoas me passaram pela cabeça. Pensei até numa roupa bacana para usar - nada de roupas colantes - quando estivesse em ação. “Ação?” repeti a palavra. Não sabia ao certo o que eu queria ou o que estava planejando. Só sei que, assim como meus poderes, uma ideia surgiu do nada. 

Levantei, bati a mão nas calças limpando-me e olhei para cima, admirando aquele céu estrelado. E foi ali que eu percebi o que faria. Usaria aquele poder para fazer algo de útil. Algo que, agora, eu poderia fazer. Não seria mais um inútil. Todos iriam saber sobre mim e conheceriam meus talentos. Promoveria para os habitantes do planeta o que eu melhor saberia fazer: instauraria o caos!!!

Continua... 


 
Publicado originalmente no dia 17 de fevereiro de 2011, quinta-feira.